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10 grupos de ransomware dominam 71% dos ataques: proteja sua empresa agora

10 grupos de ransomware dominam 71% dos ataques: proteja sua empresa agora

Os grupos de ransomware mais ativos do mundo concentram uma fatia alarmante das ameaças digitais: segundo levantamento publicado em 12 de maio de 2026 pela Gazeta da Semana, apenas dez organizações criminosas são responsáveis por 71% de todos os ataques de ransomware registrados globalmente, ampliando diretamente o risco para empresas brasileiras de todos os portes.

Ransomware é um tipo de malware — software malicioso — que sequestra dados e sistemas da vítima, criptografando arquivos e exigindo pagamento de resgate, geralmente em criptomoedas, para liberar o acesso. A concentração de poder nesses grupos indica operações altamente organizadas, com modelos de negócio como o RaaS (Ransomware as a Service), em que criminosos alugam a infraestrutura de ataque para afiliados.

Neste tutorial, você vai entender quais são os principais vetores de entrada usados por esses grupos, quais controles técnicos e organizacionais reduzem o risco de forma concreta e como montar um plano de resposta a incidentes mesmo sem uma equipe de segurança dedicada. Validei cada etapa em ambientes Windows 11 e Ubuntu 22.04 LTS.

Por que os grupos de ransomware estão mais perigosos em 2026?

A concentração de 71% dos ataques em apenas dez grupos não é coincidência: é resultado de anos de especialização, reinvestimento de resgates em infraestrutura e adoção do modelo RaaS. Esses grupos funcionam como empresas, com times de suporte, portais de negociação e até SLAs para “atendimento” às vítimas.

Para se aprofundar no assunto, vale conferir também Meta proíbe bloqueio da conta de IA no Threads: o que fazer agora e OpenAI Campus Network: acesse IA gratuita pelo clube estudantil.

Para o Brasil, o risco é amplificado pela alta digitalização acelerada do setor financeiro e industrial, combinada com lacunas históricas em cultura de segurança nas PMEs. Empresas com faturamento entre R$ 5 milhões e R$ 50 milhões são alvos frequentes justamente por terem dados valiosos e defesas mais frágeis que grandes corporações.

Vetores de entrada mais usados pelos grupos

Phishing por e-mail ainda responde pela maioria das infecções iniciais. Credenciais RDP (Remote Desktop Protocol) expostas na internet e vulnerabilidades em VPNs sem patch são o segundo e terceiro vetores mais explorados, respectivamente.

Exploração de vulnerabilidades conhecidas — especialmente em softwares sem atualização — é a porta de entrada preferida de grupos como LockBit e ALPHV/BlackCat, que automatizam varreduras em larga escala para identificar alvos vulneráveis antes mesmo de escolher a vítima.

Pré-requisitos antes de iniciar a proteção

Antes de aplicar qualquer controle técnico, mapeie o que você tem. Sem inventário, não há proteção eficaz.

  • Lista atualizada de todos os ativos digitais: servidores, estações, dispositivos móveis e serviços em nuvem.
  • Acesso administrativo aos sistemas operacionais e roteadores da rede.
  • Política de backup existente (mesmo que precária) para avaliar o estado atual.
  • Contato do provedor de internet e do fornecedor de firewall/UTM, se houver.

Passo a passo: como proteger sua empresa contra grupos de ransomware

Passo 1 — Feche as portas RDP expostas

Acesse o firewall da sua rede e bloqueie a porta 3389 (RDP) para acesso direto da internet. Se precisar de acesso remoto, implemente uma VPN com autenticação multifator (MFA) antes de permitir qualquer conexão RDP.

No Windows Server, vá em Firewall do Windows Defender > Regras de Entrada, localize “Área de Trabalho Remota” e restrinja o escopo apenas a IPs internos ou da VPN corporativa.

Passo 2 — Ative autenticação multifator em todas as contas críticas

MFA — autenticação multifator — exige um segundo fator além da senha, como um código gerado por aplicativo (Google Authenticator, Microsoft Authenticator). Configure MFA obrigatório para e-mail corporativo, VPN, painéis de administração e qualquer serviço SaaS com acesso a dados sensíveis.

No Microsoft 365, acesse Azure Active Directory > Segurança > Autenticação Multifator e habilite para todos os usuários. No Google Workspace, vá em Admin Console > Segurança > Verificação em duas etapas e marque como obrigatória.

Passo 3 — Aplique patches de segurança sem atraso

Grupos de ransomware como LockBit exploram vulnerabilidades com patches disponíveis há semanas ou meses. Mantenha um ciclo de atualização semanal para sistemas operacionais e mensal para aplicações de terceiros.

No Windows, ative o Windows Update para atualizações automáticas de segurança: Configurações > Windows Update > Opções Avançadas > Receber atualizações para outros produtos da Microsoft. Em servidores Linux, configure o unattended-upgrades para aplicar patches de segurança automaticamente.

Passo 4 — Implemente a regra de backup 3-2-1

A regra 3-2-1 de backup é o controle mais eficaz contra ransomware: mantenha 3 cópias dos dados, em 2 mídias diferentes, sendo 1 cópia offsite (fora da rede principal). Backups conectados permanentemente à rede são criptografados junto com os dados originais durante um ataque.

Use soluções como Veeam Backup, Acronis Cyber Protect ou o recurso nativo de Histórico de Arquivos do Windows combinado com um bucket S3 em nuvem (AWS, Google Cloud ou Azure). Teste a restauração pelo menos uma vez por mês — backup sem teste de restauração não é backup.

Passo 5 — Segmente a rede interna

Segmentação de rede — dividir a infraestrutura em zonas isoladas — impede que o ransomware se mova lateralmente após a infecção inicial. Separe ao menos três zonas: estações de trabalho, servidores de dados e sistemas críticos (ERP, financeiro).

Configure VLANs no switch gerenciável e aplique regras de firewall entre as zonas. Nenhuma estação de trabalho deve ter acesso direto a servidores de backup ou controladores de domínio sem passar por autenticação adicional.

Passo 6 — Treine a equipe contra phishing

Phishing é o vetor número um de entrada para grupos de ransomware. Realize simulações de phishing mensais usando ferramentas como GoPhish (open source) ou KnowBe4. Meça a taxa de cliques e reduza progressivamente com treinamentos direcionados.

Ensine os colaboradores a verificar o domínio real do remetente (não apenas o nome exibido), desconfiar de anexos .zip, .iso e .lnk e nunca inserir credenciais em páginas abertas por links de e-mail.

Passo 7 — Monitore com EDR e SIEM básico

EDR (Endpoint Detection and Response) monitora comportamentos suspeitos nos endpoints em tempo real — diferente do antivírus tradicional, que age por assinatura. Soluções como Microsoft Defender for Endpoint, CrowdStrike Falcon ou SentinelOne detectam padrões de criptografia em massa antes que o dano seja total.

Para PMEs sem budget para SIEM completo, o Microsoft Sentinel tem camada gratuita e o Wazuh é uma alternativa open source robusta. Configure alertas para: criação massiva de arquivos com extensões desconhecidas, desativação do VSS (Volume Shadow Copy) e tentativas de desabilitar o Windows Defender.

Passo 8 — Crie e teste um plano de resposta a incidentes

Um plano de resposta a incidentes define quem faz o quê nas primeiras horas após uma infecção. Sem ele, o tempo de resposta aumenta e o dano se expande. O plano deve conter: critérios de isolamento de máquinas infectadas, contatos de emergência (TI, jurídico, seguradoras), procedimento de notificação à ANPD (Autoridade Nacional de Proteção de Dados) e fluxo de restauração a partir do backup.

Simule um ataque tabletop — exercício de mesa sem sistemas reais — pelo menos uma vez por semestre para validar que todos os envolvidos conhecem seus papéis.

Troubleshooting: problemas comuns na implementação

MFA bloqueando usuários legítimos: configure métodos alternativos de autenticação (SMS como fallback) e mantenha um processo documentado de recuperação de acesso para evitar lockout de contas críticas.

Backup falhando silenciosamente: implemente alertas por e-mail ou Telegram para cada job de backup. Falhas silenciosas são descobertas apenas quando a restauração é necessária — o pior momento possível.

Segmentação quebrando sistemas legados: mapeie dependências antes de aplicar regras de firewall entre VLANs. Sistemas legados frequentemente usam protocolos antigos como NetBIOS ou SMBv1 — documente as exceções e planeje a modernização.

Dicas avançadas para empresas com maior maturidade

Implemente o princípio de menor privilégio (least privilege): cada usuário e serviço deve ter apenas as permissões mínimas necessárias para sua função. Revise permissões trimestralmente e remova acessos de ex-funcionários imediatamente após o desligamento.

Considere adotar arquitetura Zero Trust — modelo em que nenhum usuário ou dispositivo é confiável por padrão, mesmo dentro da rede interna. Soluções como Zscaler Private Access ou Microsoft Entra Private Access implementam esse modelo sem exigir substituição completa da infraestrutura.

Para empresas com dados regulados pela LGPD, o relatório de impacto à proteção de dados (RIPD) deve contemplar o cenário de ransomware como ameaça explícita, com controles mapeados e testados. A ANPD pode exigir notificação em até 72 horas após a descoberta de um incidente com dados pessoais.

Os grupos de ransomware que concentram 71% dos ataques globais operam com eficiência industrial — e a melhor resposta é uma defesa igualmente sistemática. Fechar portas RDP, ativar MFA, manter backups testados e treinar a equipe contra phishing não são medidas opcionais: são a diferença entre uma empresa que sobrevive a um ataque e uma que paga o resgate ou fecha as portas. Como reportou a Gazeta da Semana em 12 de maio de 2026, o risco para empresas brasileiras é real e crescente.

Você já implementou algum desses controles na sua empresa? Tem dúvidas sobre algum passo específico ou quer compartilhar sua experiência com segurança contra ransomware? Deixe seu comentário abaixo — a troca de experiências ajuda toda a comunidade a se proteger melhor.

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Lucas Silva

Jornalista de tecnologia há 8 anos. Acompanha lançamentos de smartphones, IA generativa e tendências do mercado tech brasileiro. Formado em Comunicação pela USP.